domingo, maio 28, 2017

Não se acaba o que nunca sequer começou

Tudo aconteceu de repente. Era agosto. De poucas mensagens trocadas, nos vimos numa noite de sexta e o beijo foi de tirar o fôlego. Depois de então tudo aconteceu muito rápido. Desde o começo a indecisão, e então sumiu. Reapareceu pouco depois, já era setembro.
Eu nunca o entendi completamente. Lembro de desistir novamente, voltamos à estaca zero. Outubro. Uma noite embriagada e uma história se iniciou. Nunca deveria.
Achava estar crescendo juntos, conhecendo e descobrindo como a vida podia ser boa novamente ao lado de alguém. Novembro. O começo chegou a me enganar, pensei ser pra sempre. Pensava em construir toda uma vida e um futuro.
Dezembro, férias, viagem. Feliz 2017. A felicidade ficou ali mesmo, em Ibitipoca, em 2016. A fase inicial, onde tudo é bonito e poesia estava se esgotando. Vieram os desentendimentos, os defeitos, as discussões. Por bobeiras.
Passou janeiro ligeiramente, fevereiro, março parecia trazer uma calma que enganava. Muita coisa foi compartilhada, tanto boas quanto ruins. O sentimento em mim se multiplicava, enquanto nele nunca nasceu, e eu não sabia. Estava cega demais para perceber.
Abril, primeira semana, o término veio gelado, num banco de carro. Lembro do abraço e de chorar como se tivesse morrido alguém. Morreu o sentimento. Dois dias depois, tão frio, já estava com outro alguém por necessidades carnais. Respeito mandava lembranças.
Um mês quase se passou, a vida estava completamente diferente. Os planos, os amigos mais próximos. Coisas pendentes nos reaproximou. E um encontro aconteceu com a promessa de uma nova tentativa.
Ilusão. Já estava preparada para o pior. Afinal, uma vez terminado é como um vidro quebrado que mesmo colado nunca mais volta a ser formoso. Por duas semanas as coisas pareciam ter voltado ao normal. Eu estava me sentindo bem, mas não havia amor. Nunca haveria.
Já acabava maio, já acabava a única tentativa. Essa indecisão, esse quer não quer. Pessoas pela metade não me interessam. Antes só, já me diziam.
E hoje, quando eu acordei em um domingo solteira, este primeiro dia para reacostumar foi triste. Me lembrou do domingo em abril, com menos lágrimas. Sinto muito alguém sentir tão pouco. Não queria que as coisas fossem assim. Não queria ter que matar mais um sentimento.
Se um dia voltar, que fique com sua solidão, que fique com seu arrependimento. O meu merecimento é um amor de verdade, não algo que nunca existiu.